quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Tagliolini ai Fiori di Zucca - Tagliolini com Flores de Abóbora

Hoje em dia ouve-se muito a respeito da fauna e flora em extinção, mas acho que pela primeira vez vejo um prato prestes a desaparecer; interessante como a modernidade espantou essa receita, delicada e simples, para bem longe.

Percebi isso em minha empreitada em busca da Fiore Di Zucca (Flor de Abóbora), tão abundante em minha infância, e que simplesmente sumiu dos grandes centros urbanos; pra ser bem sincero não imaginava como as pessoas desconheciam a existência dessa flor.

Procurei em lugares bem diferentes, de empórios bem famosos em São Paulo até a feira de orgânicos do Parque da Água Branca, passando por horti-frutis, feiras e casas de produtos naturais, mas a cada pergunta via na cara das pessoas um espanto; podia ler o pensamento delas "O que esse maluco vai fazer com flor de abóbora....comer??".

Pude finalmente encontrá-las no interior de São Paulo, na chácara dos tios da minha esposa, e para minha surpresa nem mesmo o caseiro, homem bastante íntimo da terra, sabia que eram comestíveis. Para espanto adicional de muitos, a flor de abóbora pode ser macho ou fêmea; isso mesmo !! e se come somente a flor macho, já que a flor fêmea deve ser preservada, uma vez que se transformará em abóbora.

Bom, ainda posso sentir o gosto dessa deliciosa flor empanada, quando minha avó a preparava, sequinha, para acompanhar um macarrão simples feito na manteiga, uma das receitas preferidas do meu avô.

Essa saborosa receita é originária da Emilia-Romagna, mais precisamente entre as cidades de Modena e Parma, muito embora possa ser encontrada como também típica do Veneto, na região compreendida entre Verona, Vigasio e Capitello di Sopra. Independente de onde tenha sido "criada", certamente é uma comida de camponeses, que tinham nessas pequenas alternativas uma refeição inesquecível. Por essa razão esse tipo de prato é chamado de "Piato Povero" (prato pobre) devido à sua origem simples.

Empanando as Flores:

Reserve 3 ou 4 flores para cada pessoa; abra com muito cuidado cada uma delas, lavando-as em água corrente, para que a parte de dentro fique bem limpa; isso é fundamental, já que abelhas ou outros insetos podem ficar lá dentro. Assim que estiver limpa, seque-as com um pano e adicione uma tira de queijo parmesão de boa qualidade. Reserve.

Para empanar, misture 2 copos de água com gás gelada com 1 copo de farinha de trigo peneirada. Adicione uma pitada de sal e uma de pimenta do reino ralada na hora.

Mergulhe as flores dentro dessa mistura, retire-as, elimine o excesso, levando-as imediatamente à frigideira com óleo de canola bem quente. Esse processo de empanar é semelhante ao utilizado no preparo do tempurá japonês. Reserve cada uma das flores empanadas em local arejado, não abafado ou fechado, já que as flores devem permanecer crocantes.


Finalização do prato:

Em uma panela com água fervente, adicione um punhado de sal grosso, óleo, e 500 g. de Tagliolini, por aproximadamente 11 minutos. Transcorrido o tempo, escorra a pasta, reservando uma concha da água do cozimento; volte toda a pasta para dentro da panela (fogo desligado), adicione duas colheres de manteiga sobre a massa ainda quente e misture delicadamente para que o tagliolini não se quebre; junte a água do cozimento.

Ponha o tagliolini em um prato fundo, acomode 3 ou 4 flores empanadas sobre a pasta, folhas de sálvia grosseiramente rasgadas com as próprias mãos e um bom punhado de queijo parmesão ralado de boa qualidade. Para acompanhar, um Prosecco de Conegliano ou Valdobbiadene; harmonização perfeita e garantida.

Como diriam no Vêneto: "Chi xe visin a la cusina, magnia la minestra caôda" (Quem está perto da cozinha é quem come a comida quente).

3 comentários:

  1. Há muito que procuro estas flores para fazer. Nunca achei.
    É um verdadeiro manjar quando recheada de mascarpone.
    Um abraço.

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